No inicio do livro Lições de Arquitetura, fica explicita a preocupação de Hertzberger em mostrar como os espaços não são apenas definidos por paredes e limites físicos, mas pelas relações sociais, usos cotidianos e responsabilidades que recaem sobre eles. Ele introduz a ideia de zoneamento territorial como uma rede de apropriações. Para ele, cada área dependerá, em grande parte, de quem determina o ordenamento do espaço e de quem é ou se sente responsável por ele.
Ou seja: um mesmo espaço pode ter diferentes personalidades dependendo de quem o habita e de como ele é vivido enfatizando que a arquitetura não é neutra.
Hertzberg afirma que os limites entre o público e o privado não deveriam ser rígidos, e sim graduais. Como exemplo, temos a soleira, em que a criança está suficientemente longe da mãe para se sentir independente, mas ao mesmo tempo, sentada ali no degrau, que é parte da rua assim como da casa, ela se sente segura. Esse degrau permite que a criança se sinta em casa e ao mesmo tempo no mundo exterior.
Hertzberger também critica a tendência de separar tudo de forma rígida: área pública, área privada, circulação, uso, propriedade. Ele mostra que, se pensarmos no espaço urbano como algo vivo, é inevitável que o privado invada o público. Ele destaca como essa relação se constrói no cotidiano, através de pequenos gestos: uma cadeira deixada na frente da porta, uma planta no corredor, um tapete colocado no hall. Esses elementos aparentemente simples revelam um desejo de apropriação.
Outro ponto foi a crítica às normas e regulamentações. A legislação tende a medir, quantificar, delimitar, enquanto os usuários precisam de liberdade, nuance e flexibilidade para se relacionar com o espaço.
Conclui-se que a arquitetura permite que a vida aconteça de forma natural, fluida e compartilhada.
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